Licenciosidades

Qualquer bocadinho acrescenta, disse o rato, e mijou no mar.

"Não é da bondade do homem do talho, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar o nosso jantar, mas da consideração em que eles têm o seu próprio interesse. Apelamos, não para a sua humanidade, mas para o seu egoísmo, e nunca lhes falamos das nossas necessidades, mas das suas vantagens"

Adam Smith (1776), Riqueza das Nações

sexta-feira, abril 29, 2005

Adopcão

Quantos de vocês prefeririam ser adoptados por um casal de homosseuxuais a ficar numa Casa Pia até aos 18 anos? E, já agora, quantos de vocês não prefeririam antes ser adoptados por um casal de heterossexuais (cæteris paribus, claro está)? Dá que pensar...

Os desmoralizados

Uma perola de Isabela no seu Mundo Perfeito,

"Os homens sofrem do chamado "complexo de filho único", mesmo quando são o terceiro rebento entre cinco irmãos. O excesso de mimo funda-se em nunca terem necessitado de ir à luta, porque, ao nascerem, estava tudo de perna aberta para os receber, para lhes dar sem pedirem, porque eram varões...Ora, não ir à luta, não refilar, não ter de quebrar elos, receber tudo de mão beijada, ser-se o orgulho da mamã e a realização do papa, paga-se caro! Não sonham alto. Não querem alto. E quem não sonha alto e não quer alto, não vai além! Amolece.(...)
O gerente da empresa de aluguer imobiliário onde entregam a renda mensal é uma gerenta, e os professores dos filhos são professoras deliciosas, encantadoras, que lhes entontecem a cabeça, perfumadas, enquanto se movimentam rente ao quadro, para cá e para lá, nas reuniões de encarregadas de educação.
E o pior é que estamos cada vez mais bonitas, mais sedutoras, e com a língua mais solta; já não ficamos à espera que se decidam, tomamos iniciativas, não dependemos deles, dizemos-lhes o que bem queremos: chegámos ao ponto de lhes mandar piropos!Começa a ser preciso muito jogo de cintura! Antigamente era-lhes mais fácil: conseguiam, pensavam eles, distinguir entre feministas e casáveis. As feministas eram feias, peludas, com a voz grossa, ou muito magras ou muito gordas, brutas e sempre com mau feitio; as casáveis eram lindas ou mais ou menos; rapavam a pelunça como deve ser, excepto no Inverno; falavam agudo como a Júlia Pinheiro; quer fossem magras, quer gordas, acabavam iguais, ou seja, gordas; mas sempre caladas, conformadas, sossegadas, e não faziam coisa alguma sem autorização. Agora, leram, estudaram, emanciparam-se (a conjugação pronominal reflexa fala por si!) e estão todas misturadas: as feministas rapam as pernas e o buço, e falam doce; as outras deram em ser umas brutas que não colaboram em nada que um gajo lhes peça, para além de que passam o dia a dizer que têm direitos!(...)
Venham, agora, fazer-nos olhinhos oleados e iletrados, enquanto debitam "ciência de garagem", sorrindo idiotamente, "a senhora está com as jantes todas raspadas dos lancis!"; "a senhora quer que lhe mude o filtro do habitáculo?" - e deitam o olho à monumental peitaça descoberta pela blusa de Primavera; "olhe que senhora já precisa que lhe mude as velas!" - engolem em seco, porque a corrente de ar nos levantou a saia transparente até à virilha; "a senhora está com a direcção toda desalinhada, não sente a trepidação?", ao mesmo tempo que nos miram a calça justa no rabo!Querem o quê? Quem se habitua a cavalo, já não anda de burro!Ao menos, escrevam-nos uma carta, com mais de quinze linhas, sem erros de morfologia ou sintaxe! Jurem-nos que, por nós, até vão concluir o nono, à noite, em regime de unidades capitalizáveis. Ofereçam-se para serviço voluntário aos sem-abrigo, em Santa Apolónia!(...)
As tropas sentem-se desmoralizadas! Pudera!Desvalorizaram-nos quando quisemos ir à escola. Ridicularizaram-nos à data de conclusão dos cursos. Subestimaram o valor do nosso trabalho. Agora, é tarde!Já não vale a pena tapar o sol com a peneira: para eles é, de facto, uma guerra perdida! Resta-lhes a liberdade de expressão, e não lhes resta muito..."

A raiva contida durante tantos seculos esta a escapar agora e, pior, duma forma inteligente...

quarta-feira, abril 27, 2005

Tau-Tau

Qualquer bocadinho acrescenta, disse o rato, e mijou no mar