Licenciosidades

Qualquer bocadinho acrescenta, disse o rato, e mijou no mar.

"Não é da bondade do homem do talho, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar o nosso jantar, mas da consideração em que eles têm o seu próprio interesse. Apelamos, não para a sua humanidade, mas para o seu egoísmo, e nunca lhes falamos das nossas necessidades, mas das suas vantagens"

Adam Smith (1776), Riqueza das Nações

quinta-feira, junho 23, 2005

Sei que ninguem le posts longos...

...mas facam la um esforco e leiam este. Esta excelente e nem sequer foi escrito por mim...

por Rodrigo Moita Deus:

Este fim-de-semana, ouvi um senhor na televisão falar no “orgulho de ser
branco”. Um português dizer-se orgulhoso de ser branco. Coisa estranha esta
que
me deixou a pensar.
Depois falaram de pátria? A pátria? Santo Deus
que ainda não perceberam.
Portugal não é pátria. Portugal é mátria. É
senhora roliça de feições rosadas. É
senhora madame em casa suposta da
fronteira. Por cá foram passando todo o género
de camionistas. Fenícios,
gregos, romanos, nórdicos e cartagineses. Para deleite
da meretriz
refastelada no canto da península. Para proveito e fama bem maior
que
algumas áreas de repouso do IP3.
E quando, depois de milhares de anos,
cessaram as fecundas visitas, decidiu
a rameira partir em diáspora,
procurando nova homenzoada no outro lado do mar. E
que bela aventura essa,
repleta de alegrias. Homens havia para todos os gostos e
quase todos os
tamanhos: ele era brancos, amarelos e pretos. Loiros, índios e
indianos.
Esquimós e africanos para ementa completa. E se perguntassem à
marafona qual
o seu prato favorito, a sôfrega respondia babando: tutti fruti!
tutti fruti!
E assim se fez o país e o seu povo. Um português é bisneto de Maomé,
sobrinho neto de Abrão, filho de um Mustafá, primo da rainha Ginga, tio de
um
Xanana, arraçado Baniwa ou Guarani, irmão de um Cabinda e o primo mais
branco
que temos chama-se Madhav e vive em Goa. Até os Macondes do norte de
Moçambique
têm o “sangue mais puro” que o nosso.
“Orgulho em ser
branco” parece-me um franco exagero. Portugal não tem
brancos. Tem uns que
são mais pálidos de espírito que os outros. E esses bem
podem dar graças ao
Senhor por não terem nascido com cauda.


Eu penso isto ha muito tempo. Estava so a espera de ser abencoado pelas qualidades de escrita do Rodrigo para dize-lo desta forma.