Licenciosidades

Qualquer bocadinho acrescenta, disse o rato, e mijou no mar.

"Não é da bondade do homem do talho, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar o nosso jantar, mas da consideração em que eles têm o seu próprio interesse. Apelamos, não para a sua humanidade, mas para o seu egoísmo, e nunca lhes falamos das nossas necessidades, mas das suas vantagens"

Adam Smith (1776), Riqueza das Nações

quarta-feira, setembro 07, 2005

Aquele Homem

Ironicamente a sua casa fica no centro de um cruzamento perigoso. Aquelas ruas, construídas noutros tempos pelas mãos de quem por lá habitava, não foram feitas para receber trâfego automóvel. O avançar da cidade fez daquele cruzamento passagem preferida na altura o Verão mas a falta de visibilidade tinha já provocado vários acidentes. Uns dois ou três por dia, diziam os vizinhos. Aquele homem, com ar de ter passado os 50 anos há pouco tempo, tem da sua casa uma visão privilegiada sobre o cruzamento. A fábrica onde trabalhava fechou. Nestes dias fica à janela a dar indicações aos carros que passam. Os condutores que passam levantam a mão a agradecer e o homem vai sorrindo. Ao menos serves para alguma coisa, diz a mulher. O homem consegue escapar à sombra da inutilidade. Mais uma vítima de uma politica de 6 anos que escolheu salários em detrimento de emprego.