Licenciosidades

Qualquer bocadinho acrescenta, disse o rato, e mijou no mar.

"Não é da bondade do homem do talho, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar o nosso jantar, mas da consideração em que eles têm o seu próprio interesse. Apelamos, não para a sua humanidade, mas para o seu egoísmo, e nunca lhes falamos das nossas necessidades, mas das suas vantagens"

Adam Smith (1776), Riqueza das Nações

terça-feira, novembro 01, 2005

Todos nós temos maradona na voz

"Por mais que as más línguas o repitam, o Super-Mário não é só um magnífico carrilhão de balelas que, post após post, instruem o país das ideias que povoam aquela interessantíssima pústula da sociedade esquerdista lisboeta. Se descontarmos a misteriosa Mariana Vieira da Silva (única mulher do elenco, autora deste singular post), seria improvável que sempre assim fosse, dada a qualidade intelectual das pessoas que o compõem. O post por que, particularmente, esperava, chegou por um tal de João Pinto e Castro, que encontrarão com facilidade carregando aqui.É que é exactamente aquilo, sem tirar nem pôr, o professor doutor Aníbal Cavaco Silva não diria melhor, acaso falasse. Nada melhor do que estar em acordo no desacordo. O cavaquista é aquela pessoa que vai colocar a cruz no quadrado do candidato que terá mais hipóteses de concorrer para uma situação em que cada um melhor utilize as qualidades que tem para encher o respectivo bolso com mais umas notinhas de 20 euros.Sei que esta é uma preocupação, assim aridamente (mas não erroneamente)descrita, considerada mesquinha por aquelas bandas. Falamos de pessoas que lêem livros, sabem poesias de cór, vão à cinemateca; eles é só história, museus, viagens ao estrangeiro; mudam de casa porque, e passo a citar, "já não têm lugar para pôr os livros"; borbulham neles as últimas teorias de como organizar a sociedade, fumegam ferozes dialéticas entre justiça e igualdade, rabujam pelas péssimas traduções que se fazem em Portugal, vivem dilacerados pela paupérrima escolha de livros em língua estrangeira da Fnac (não se consegue encontrar um Poe), etc, etc, etc.De facto, nós, os cavaquistas, pelo menos este tipo de cavaquista, não achamos que isso seja muito importante, não nos cabe na cabeça comprar uma casa sem lareira no topo da qual coloquemos um relógio ao estilo francês do século XVIII.
Conquistada a liberdade, sem sabermos como nem por quem nem quanto custou, esquecidos e desinteressados de como foram as lutas pela liberdade e pela democracia, só nos interessamos por ter um granda carrão. Aliás, preferimos comer McDonald's todos os dias a não ter aquele carro. "Quanto é que ganhas?" é a única pergunta que nos liga ao próximo, a inveja domina-nos um pouco os dias e se nos levantamos de manhã é para mitigá-la fazendo com que sejam os outros a ter inveja de nós.Sou eu, é o meu mundo, é onde vou votar, é onde mais gosto de viver. Não quero um político com ideias para o país; principalmente, não quero um político com ideias para mim; quero que me "deixem trabalhar", e achar-me sozinho, a mim, e ao meu país."