Licenciosidades

Qualquer bocadinho acrescenta, disse o rato, e mijou no mar.

"Não é da bondade do homem do talho, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar o nosso jantar, mas da consideração em que eles têm o seu próprio interesse. Apelamos, não para a sua humanidade, mas para o seu egoísmo, e nunca lhes falamos das nossas necessidades, mas das suas vantagens"

Adam Smith (1776), Riqueza das Nações

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Privatizar as praias? (1)

Atenuava as assimetrias regionais. As pessoas do interior estão a pagar a manutenção e o custo de oportunidade de não privatizar por algo que nunca, ou raramente, utilizam. Os fundos gerados pela privatização e poupança de custos de manutenção das praias podiam ser utilizados para baixar certos impostos nas regiões do interior, promovendo assim o seu desenvolvimento.

7 boas festas:

  • Eu não concordo com o princípio do utilizador pagador. Dou-te um exemplo: no meu prédio, os vizinhos da cave e do r/c querem um desconto considerável no pagamento do condomínio porque não utilizam o elevador. E os outros perguntam, "então, e quando vão ao sotão colocar a cadeira velha; quando vão pedir uma chávena de arroz à vizinha do 5º, vão pelas escadas?" Não usam, mas usam. Eu não frequento muito praias fluviais. Uma vez por ano, de dois em dois. Isso implica que não tenho de pagar a sua manutenção? Raramente vou ao hospital. Peço desconto na contribuiçao para a segurança social? Não, Karlos, eu por todos, e todos por mim!

    By Blogger Isabela, at quarta-feira, janeiro 11, 2006 11:35:00 da tarde  

  • O príncipio do utilizador pagador é o mais justo. Imagina que dos impostos que pagas, 20 euros vão para as praias fluviais. Se as praias fluviais fossem privatizadas passarias a ter mais 20 euros que podias usar para ir às praias fluviais se assim o desejasses, ou para outra coisa qualquer. Da forma que está, o estado decide que tu queres gastar esses 20 euros em praias fluviais, 100 euros na via do infante, 500 no TGV,...
    A segurança social funciona como um seguro de saúde, desemprego e reforma. Um seguro é um bem em si. O que se paga com a segurança social não é a consulta no médico é a segurança de saber que, se precisares de assistência médica, irás tê-la.
    Sabes, uma boa forma de analisar decisões é pensar o que escolherias se a decisão já tivesse sido tomada. Ou seja: se já se pagasse portagem na via do infante, estarias tu disposta a aceitar uma redução de 100 euros no teu ordenado anual para que se pudesse andar por lá de borla?

    By Blogger CGP, at quarta-feira, janeiro 11, 2006 11:56:00 da tarde  

  • Karloos, eu desconto voluntáriamente para o sindicato, contribuo voluntariamente para a AMI e para a Amnistia Internacional. Ninguém me obriga.
    Eu uso a via do Infante algumas vezes por ano; o meu colega de blog, o C.B., usa a ponte sobre o Tejo algumas vezes por ano. Eu ajudo-o a pagar o uso diário da via pública, tal como ele deveria ajudar-me a pagar o uso diário da ponte pública. No Porto, defendes a portagem das pontes que ligam a Gaia?

    By Blogger Isabela, at quinta-feira, janeiro 12, 2006 12:11:00 da manhã  

  • Nós não estamos a falar em pagar ou não pagar, porque pagamos de qualquer forma. Relevante aqui é se pagamos o que queremos ou o que nos obrigam.
    Contribuis voluntariamente para a AMI, lá está, é isso que defendo. Imagina que agora vinha o estado obrigar-te a contribuir para a Cruz Vermelha, ou, em vez de descontares para o sindicato, passavas por decreto a descontar para o CDS-PP?

    By Blogger CGP, at quinta-feira, janeiro 12, 2006 12:18:00 da manhã  

  • tens razão, karloos.

    mas a isabela tem razão na questão que levanta sobre as pontes do porto/gaia.

    o princípio, sobre o qual também estou de acordo, verdadeiramente não é aplicado nem pelo país todo, nem por todos os sectores.

    By Blogger Mário Almeida, at quinta-feira, janeiro 12, 2006 1:20:00 da manhã  

  • Não faz sentido nenhum, até porque a maior parte das prais estão concessionadas e penso (perdão, se estiver errado) que a maioria dos custos de manutenção e limpeza estão reservados aos proprietários da concessão. Além do mais, cabe (ou deveria caber) às autarquias a sua gestão, pelo que, quanto muito devemos pedir contas às autarquias (as autarquias deveriam poder cobrar impostos) e nunca pagar pelo uso de um espaço público. A praia é um espaço público, senão, daqui a pouco (seguindo a lógica do post)até teriamos que pagar um passeio a pé pela baixa. O desgaste da calçada não poderia ser inputado a todos da mesma forma porque há muita gente que não sai de casa. Eu concordo com o principio do utilizador/pagador em muitas situações, mas neste caso parece-me claramente um extremismo.

    By Anonymous brmf, at quinta-feira, janeiro 12, 2006 6:06:00 da tarde  

  • O principio do utilizador pagador é um princípio de liberdade de escolha.Imaginando que, dos teus impostos, 200 euros vao anualmente para as praias portuguesas. O melhor para avaliar o princípio do utilizador-pagador é colocares-te na posição inversa: se as praias já fossem privatizadas estarias disposto a pagar 200 euros por ano de impostos para que deixassem de o ser? Quantos portugueses estariam?
    Abraço

    By Blogger CGP, at quinta-feira, janeiro 12, 2006 6:22:00 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home