Licenciosidades

Qualquer bocadinho acrescenta, disse o rato, e mijou no mar.

"Não é da bondade do homem do talho, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar o nosso jantar, mas da consideração em que eles têm o seu próprio interesse. Apelamos, não para a sua humanidade, mas para o seu egoísmo, e nunca lhes falamos das nossas necessidades, mas das suas vantagens"

Adam Smith (1776), Riqueza das Nações

sábado, maio 20, 2006

Mais uma manifestação de milhares de trabalhadores

Na sexta-feira à noite ao chegar a casa passei pela ex-funcionária da minha escola primária. O autocarro do sindicato tinha-a deixado alguns metros antes. Vinha ainda com um chapéu de papel e uma bandeira de plástico maltratada que aparentava ter servido de intermediária entre o rabo da senhora e o chão. Ao perguntar-lhe como estava respondeu-me que "estava cansada do passeio". Para além da viagem gratuita para Lisboa, o sindicato deu-lhe 7,5€ para o almoço. O sindicato garantiu a viagem 7.5€ para o almoço a todos quantos se tinham inscrito independentemente de serem ou não membros do sindicato ou até funcionários públicos. No seu autocarro os reformados estavam em maioria, nomeadamente os da função pública: apesar de terem abandonado o activo continuam a ir aos passeios. "No tempo do Cavaco é que era! Chegávamos a ir duas e três vezes por mês. Mas esses eram tempos de fartura!". São as "viagens do sindicato", uma nova versão daquelas viagens para reformados gratuitas, desde que assistissem a uma apresentação da mais recente inovação em tupperwares.
Não me atrevi a perguntar se sabia porque lá tinha ido, nem sequer se sabia o que reprentava aquele foice e martelo na bandeira que o seu rabo se havia encarregado de desfazer. A senhora adora ir a Lisboa e o tempo estava de feição: era tudo o que ela precisava de saber.

9 boas festas:

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