Licenciosidades

Qualquer bocadinho acrescenta, disse o rato, e mijou no mar.

"Não é da bondade do homem do talho, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar o nosso jantar, mas da consideração em que eles têm o seu próprio interesse. Apelamos, não para a sua humanidade, mas para o seu egoísmo, e nunca lhes falamos das nossas necessidades, mas das suas vantagens"

Adam Smith (1776), Riqueza das Nações

segunda-feira, junho 05, 2006

Perguntas à Ministra da Educação e aos liberais

A Ministra de Educação, que considera os professores incompetentes para avaliarem e escolherem os manuais pelos quais irão ensinar, recusa-se a acreditar que os pais não têm competências para avaliar os professores e o resultado do seu trabalho. Pergunta: podem os pais, como clientes da escola e do Ministério, recusar-se a comprar os manuais escolhidos pela comissão supostamente independente que avaliará os mesmos, e exigir que os seus filhos estudem por manuais diferentes? Ou não têm competência para tal?
A Ministra da Educação, que acha imprescindível a existência de um momento de avaliação externa do trabalho dos professores, aceita que a liberdade dos pais de avaliar os professores dos seus filhos esteja sujeita a limites. De acordo com esses limites, só os pais que participem nas reuniões com os directores de turma têm o direito de avaliar. Pergunta: têm os professores direito a recusar a avaliação por meia-dúzia de pais e a exigir a avaliação por todos os pais dos seus alunos, alegando que aquela não é suficientemente representativa das opiniões dos pais? Pergunta: se a resposta à pergunta anterior for "sim", pode o Ministério obrigar os pais a participar nas reuniões com o director de turma? E se uma maioria dos pais, que não tem esse direito pelo facto de não ter participado nas ditas reuniões, se recusar a ser representada por uma minoria de pais?
A Ministra da Educação está preocupada com a qualidade de ensino e quer promover o mérito. Para tal, cria um sistema de quotas, segundo o qual só X% dos professores pode ter a classificação de "excelente". Quem acredita que o sistema de quotas para promoção da participação das mulheres nos partidos é injusto por não ser meritocrático poderá aceitar um sistema de quotas que impede um professor excelente de avançar na carreira em virtude de as quotas já estarem preenchidas?

Nota: estas são perguntas sérias que interessa responder. Espero que os estimados leitores do licenciosidades queiram participar na discussão.

Nota: o post foi temporariamente retirado para eu corrigir alguns erros de português e para ser publicado na sequência da minha resposta ao JM.

15 boas festas:

  • Caro JB:
    O facto da senhora ministra prever X% de professores classificados com "excelente" não significa a adopção por um sistema de quotas estanque ou fixo. Ao soccorrer-se desse mecanismo imagético, a ministra apenas quis dizer que, como em qualquer actividade, a percentagens de excelente é rara e mais ou menos previsivel. Afinal de contas, não existe um Einstein todas as décadas.

    By Anonymous Anónimo, at terça-feira, junho 06, 2006 2:40:00 da tarde  

  • Caríssimo Anónimo,

    Se assim for, não há, claro está, qualquer problema.
    Há, isso sim, se a proposta for no sentido de limitar o número de professores que pode aceder a essa qualificação. E, parece-me que foi esse o propósito que esteve na base das declarações da ministra, porque o objectivo declarado na revisão do estatuto dos professores é tornar a avaliação dos professores mais séria. Não li a proposta, pelo que não posso ir mais longe do que isto.
    Finalmente, parece-me que também foi neste último sentido que a proposta foi analisada pelo João Miranda, pelo que não serei o único a partilhar essa ideia.

    Um abraço,

    By Blogger JB, at terça-feira, junho 06, 2006 5:02:00 da tarde  

  • Caro Anónimo,

    Parece que eu tinha razão.

    Do Público de hoje (p.21):

    "Os sindicatos estão também preocupados com a possibilidade de serem criadas quotas - atribuição de classificações máximas de desempenho e limite da entrada na carreira superior, a de professor titular, a um terço dos elementos do quadro da escola".

    By Blogger JB, at quarta-feira, junho 07, 2006 6:33:00 da tarde  

  • As escolas e os departamentos das escolas não têm organização, mas acreditam que devem ter. Não há organização plana. As escolas e os departamentos das escolas precisam de ALGUNS professores que tenham características específicas para coordenar, orientar, supervisionar, avaliar, dirigir ( Artigo 36º 4). O Ministério vem dizer que serão professores titulares. Depois, embrulha-se na transição automática dos professores do 9º escalão e do 10º escalão para professores titulares e desvirtua o princípio da organização.
    Os franceses também têm os professores certifiés e os agrégés e os ingleses têm os classroom, os advanced skills e os lidership.

    By Blogger Arnaldo Madureira, at quinta-feira, junho 08, 2006 11:24:00 da manhã  

  • Caro JB, talvez o facto de na Funçao Publica a consciencia colectiva seja tao grande e qualquer tipo de avaliação justa e descentralizada inconcebivel, seja um motivo valido para a criação destas quotas. Nem que seja como medida transitoria.

    By Blogger Tiago Alves, at quarta-feira, junho 14, 2006 12:41:00 da manhã  

  • Caro JB, talvez o facto de na Funçao Publica a consciencia colectiva seja tao grande e qualquer tipo de avaliação justa e descentralizada inconcebivel, seja um motivo valido para a criação destas quotas. Nem que seja como medida transitoria. - Tiago Alves.

    O mesmo se pode dizer de quaisquer quotas que se queira criar. As quotas para as mulheres na política também têm justificação no facto de os partidos - dominados por uma maioria masculina - impedirem as mulheres de progredir na carreira política. Por muitos boas que sejam as justificações e por muito temporária que seja a medida, como liberal que sou, não acho tolerável que se prejudique umas pessoas para beneficiar outras ou para beneficiar as necessidades do sistema, sejam elas quais forem.

    Acho que um sistema de quotas - seja ele qual for - distorce sempre qualquer sistema de avaliação ou de progressão na carreira e inviabiliza o que se espera de tal sistema: que seja credível (para os não participantes) e justo (para os participantes). Em suma, que seja meritocrático.

    By Blogger JB, at quinta-feira, junho 15, 2006 3:49:00 da manhã  

  • JB,

    Entendo que exista uma certa confusão no que toca à definição de sistema de quotas. Um sistema de quotas é forçado, imposto de forma subjectiva. "Alguém" decide qual é o justo "peso" ou "quota" de uma parte no todo. Administrativamente estabelece-se que será esse o peso.

    As quotas nas avaliações aparentam ser um sistema de quotas, mas de faco tem diferenças de fundo. As quotas são naturais porque por definição de "médio", a avaliação "média" deveria ser de facto a média. O mesmo para as avaliações acima e abaixo da média. Isto porque estas classificações já reflectem critérios, e a esses critérios não devem ser impostas quotas, nem que eu saiba, terão quotas. Desta forma apenas se impõe o que deveria ser natural na avaliação, que os que são excelentes em relação à média, se distingam. Que os que são maus, se afastem.

    O sistema actual, apreciado pela função pública (pelo menos pelos seus sindicatos), consegue não ser real, porque por definição não podem ser todos acima da média, e tendenciosas, já que não existe avaliação externa.

    Nos meio das críticas que o JB faz, leio que prefere as coisas tal qual estão. Eu acredito que mesmo não sendo a reforma que eu gostava, esta vai no bom sentido, que já é mais do que é costume ver na educação.

    Pergunta:

    1. Concorda que deve haver avaliação externa da escola?

    2. Concorda que a avaliação deve ser com "forced ranks"?

    Um abraço,

    By Blogger Ricardo, at segunda-feira, junho 19, 2006 11:15:00 da manhã  

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    By Anonymous Anónimo, at quarta-feira, julho 19, 2006 8:46:00 da tarde  

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