Licenciosidades

Qualquer bocadinho acrescenta, disse o rato, e mijou no mar.

"Não é da bondade do homem do talho, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar o nosso jantar, mas da consideração em que eles têm o seu próprio interesse. Apelamos, não para a sua humanidade, mas para o seu egoísmo, e nunca lhes falamos das nossas necessidades, mas das suas vantagens"

Adam Smith (1776), Riqueza das Nações

sábado, junho 17, 2006

Toda a verdade sobre a minha relação com a Pimpinha

O negócio das seguradoras é simples. Por exemplo: o senhor X quer construir uma casa no meio de um pinhal por 45 mil euros; como terá que pagar 5 mil euros ao fiscal da Câmara para construir numa zona de reserva florestal, procura fazer um seguro da casa no valor de 50000 euros. Os especialistas do seguro calculam que, por ser construída no meio de um pinhal, é de esperar que a casa arda completamente de 5 em 5 anos, pelo que lhe pedem 10 mil euros de prémio anual para segurar a casa. O dono da casa faz as contas e conclui que nos 20 anos em que espera usufruir da casa terá que dispender por ela 250 mil euros; opta por comprar um T4 no centro da cidade que lhe fica mais barato, mais perto do emprego e da escola das crianças. As seguradoras cumprem assim um papel fundamental de quantificação do risco no custo dos activos.
Se o estado resolve pagar indemnizações às pessoas afectadas pelos incêndios, o efeito quantificação do risco desaparece. O senhor X, confiante de que o estado lhe irá indemnizar em caso de incêndio, deixa de sentir a necessidade de a segurar. De 5 em 5 anos, os contribuintes irão pagar uma nova casa ao senhor X. No final dos 20 anos, embora a casa tenha custado 250 mil euros para a sociedade, ao senhor X só custou 50 mil. Os amigos do senhor X, tal como ele, não irar perceber o custo do risco e pensarão como é barato construir no pinhal. Em breve, os pinhais estão cobertos de casas, as probabilidades de tragédia com incêndios aumentam, sobem as indemnizações, sobem as tragédias...
O mesmo acontece com o risco agrícola. Cada vez que o estado subsidia os danos causados pelo mau tempo nas colheitas, para além de desincentivar a aplicação de tecnologias que diminuam a vulnerabilidade das colheitas a factores atmosféricos, está a fazer com que os agricultores subavaliem os seus custos reais e a passar o risco agrícola para o bolso dos contribuintes que até podem preferir produtos hortícolas espanhóis.
[na sequência deste post no Blasfémias]

10 boas festas:

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