Licenciosidades

Qualquer bocadinho acrescenta, disse o rato, e mijou no mar.

"Não é da bondade do homem do talho, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar o nosso jantar, mas da consideração em que eles têm o seu próprio interesse. Apelamos, não para a sua humanidade, mas para o seu egoísmo, e nunca lhes falamos das nossas necessidades, mas das suas vantagens"

Adam Smith (1776), Riqueza das Nações

quarta-feira, agosto 02, 2006

Uma revista rosa chique

Há cerca de dois anos fui convidado para dar aulas na Roménia. Quando comecei a dar as primeiras aulas fiquei surpreendido com o grau de conhecimento que aqueles jovens de 17/18 anos, pouco mais novos que eu, de um país algo distante, tinham sobre Portugal. Superava em muito o conhecimento que eu tinha da Roménia antes de para lá ir. Muitos deles até ensaiavam um português fluente quanto baste. Contavam-me as colegas romenas que os cursos livres de português, que noutros tempos raramente chegavam a ter alunos suficientes, eram hoje dos cursos mais populares, apenas superado pelo inglês e o alemão, e à frente do espanhol e do francês. Portugal e o Português estão em alta na Roménia.
O motivo de tudo isto? A série sensação do momento: Morangos com Açúcar. Tal como cá, Morangos com Açúcar recolhe as preferências da faixa etária entre os 9 e os 18 anos. A telenovela fez mais pela divulgação da língua portuguesa na Roménia do que qualquer obra literária ou programa da embaixada.

(Na imagem, um episódio da série legendada em romeno)

Este mês a revista Atlântico puxa para a capa os eventuais efeitos maléficos desta série nas mentes mais jovens. A autora de "Bilhete de Identidade" começa o artigo por afirmar que as suas netas não vêem o programa ("preferem um programa de decoração do People and Arts"), queixa-se que na série "Ninguém lê, ouve música séria ou discute temas interessantes" e segue por aí. Desisti de continuar a lêr o artigo algures na parte em que a autora culpa a série por um rapaz de 15 anos se masturbar no autocarro da escola, um tipo de comportamento "patrocinado por uma empresa cuja única preocupação é o lucro".
Nos últimos meses quem olhasse a capa da revista Atlântico num quiosque e resolvesse lêr o artigo em destaque certamente desistiria de a comprar. Estranhamente este artigo medíocre da Maria Filomena Mónica relegou para segundo plano uma entrevista fundamental de Henrique Burnay à líder de um movimento opositor do regime Iraniano, entre outros artigos de grande interesse. Já há dois meses um outro artigo medíocre da mesma autora teve privilégio de capa. Uma obsessão incompreensível esta do Paulo Pinto Mascarenhas pela MFM.

8 boas festas:

  • Tambem nao compreendo. Alias, acho que aquela ultima pagina, que tanto marketing recebeu e que tanto prometeu (ou melhor, foi prometido) esta-se a revelar totalmente incoerente com a mensagem dos outros escribas. Depois, e das duas vezes que se deu a MFM a responsabilidade pelo artigo de capa, o resultado foi desastroso.

    By Blogger Tiago Alves, at sexta-feira, agosto 04, 2006 12:31:00 da tarde  

  • Eu não compreendo são as criticas que são feitas ao ensaio. O caso da Roménia, se serve para alguma coisa, é precisamente para provar a relevância do assunto - que, a meu ver, a MFM deixa bem provada no artigo. Porque de resto, não me parece que o confuso juízo do vulgo seja um critério convincente para aferir da bondade daquilo que as crianças vêem.

    Tenho pouco a acrescentar ao que já escrevi num comentário no telescópio:

    "Quanto ao alarmismo, enfim… é verdade que a MFM se parece escandalizar mais do que seria próprio a uma socióloga (se não a uma socióloga, à própria MFM). Contudo, o artigo insere-se numa tradição intelectual de um certo liberalismo: o próprio Sir Popper dedicou os últimos anos da vida a combater afincadamente os malefícios da tv, como antes havia feito com o marxismo, o historicismo, o dogmatismo, o relatitivismo e tutti quanti. Não é uma questão menor, a meu ver. A televisão tem um imenso poder, e qualquer poder, numa sociedade liberal deve ser limitado (e não apenas o do estado). Se os mecanismos de controle não parecem funcionar, existirão razões para algum alarme. Julgo que há motivos para entender que é assim. Claro que as crianças estarão sujeitas a perigos maiores que os McA, mas, a confiar na MFM, a extensão e a profundidade de influência que estes atingiram justifica, não pânico, mas uma ansiosa preocupação. As sociedades liberais e democráticas têm inscrita na sua génese a aspiração a coisas mais elevadas, o que tem conduzido a intermináveis conflitos entre liberdade e virtude – esta entendida aqui num sentido lato. Há dias falávamos na validade ou não das “intuições morais” universalizáveis. Não será idiota pensar que essas “intuições morais” não provém de nenhuma manobra celeste, mas da sociabilidade que é própria dos humanos – daí a importância da televisão neste contexto de transmissão de valores. E como defende o evolucionismo hayekiano, que te é caro, algumas sociedades sobrevivem precisamente porque defendem e praticam certos valores e instituições – entre eles, para teu desgosto, a família e a moralidade. Obviamente que estes valores não se constituem num referencial perpétuo, mas, hoje por hoje, não vejo que alternativas como a vulgaridade, a boçalidade e o relativismo moral lhes sejam preferíveis."

    Acho que a tese da mediocridade do artigo - que não pretende ser uma critica televisisa, mas um ensaio sobre o fenómeno do consumo - necessitaria de ser estribada em mais que duas ou três citações de frases descontextualizadas (sendo que uma delas é manifestamente infeliz). E a falta de relevância, definitivamente, não colhe.

    By Blogger c., at sexta-feira, agosto 04, 2006 8:50:00 da tarde  

  • Perfeitamente de acordo com o post.

    Nunca me chocou o sucesso do Morangos com Acúcar, embora não me reveja minimamente na imagem dos jovens que o programa veicula, nem nas suas preocupações politicamente correctas.

    Quem gosta, vê; quem não gosta, desliga o televisor. E os pais que eduquem as crianças e que aprendam a dizer não aos seus caprichos.

    Ps: vi a primeira série do Morangos. Também leio Flaubert e Nabokov. Nunca vi nenhuma incompatibilidade entre a alta e a baixa cultura, mas a tese da mesma faz escola nas elites portuguesas. É um sinal que permite a MFM, à Clara Ferreira Alves e a outras que tais distinguirem-se da maralha.

    Ps: dito isto, e ao contrário do que afirma o artigo do Adolfo Mesquita Nunes na Revista D de hoje, o valor de uma obra cultural não é aferido pelo mercado. Shakespeare será sempre superior a Rowling por muito que as vendas da autora do Harry Potter sejam superiores. Os economistas têm dificuldades em assumir que as coisas possam ter um valor intrínseco, para lá das preferências individuais. Ou, o que é dizer a mesma coisa, têm dificuldade em pensar para além dos seus conceitos, o que sucede também com juristas e outros profissionais.

    By Anonymous JB (José Barros), at segunda-feira, agosto 07, 2006 5:27:00 da tarde  

  • «: mini-spam :» --->>> Separatismo Já!!!

    Países Europeus: A 'Grande Palhaçada'!!!

    De facto:
    1- Nos Países Europeus, os Nativos Europeus são RIDICULARIZADOS... porque... os melhores Cientistas 'europeus' são... Judeus.

    2- Nos Países Europeus, os Nativos Europeus são RIDICULARIZADOS... porque... os melhores Desportistas 'europeus' são... Africanos.

    3- Nos Países Europeus, os Nativos Europeus são RIDICULARIZADOS... porque... existem cada vez mais fêmeas Nativas Europeias à procura de machos de melhor qualidade sexual...; por exemplo: Africanos.

    4- A Europa está infestada de 'WHITE-BANDALHOS' que:
    i) pretendem andar no Planeta a Curtir mão-de-obra servil imigrante ao 'preço da chuva';
    ii) pretendem andar no Planeta a Curtir a existência de alguém que pague as Pensões de Reforma [apesar de... nem sequer constituírem uma Sociedade aonde se procede à Renovação Demográfica!!!]
    { Nota: Em consequência... os 'WHITE-BANDALHOS' são uns 'Lambe-Botas' dos imigrantes e dos filhos de imigrantes -> muitos deles - depois duma conveniente alteração à lei da nacionalidade - já naturalizados 'europeus' }

    5- Mais, os Capitalistas Selvagens andam a realizar uma sistematizada campanha... que tem como objectivo promover uma SUBSTITUIÇÃO POPULACIONAL na Europa: a Europa deve passar a ser ocupada por Povos de maior 'rendimento demográfico'... ou seja, economicamente mais rentáveis.

    --->>> Diz não à 'Grande Palhaçada': os Países Europeus!!!
    -->>> ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS... reivindica o LEGÍTIMO Direito ao Separatismo:
    - A constituição de Espaços Reserva Natural de Povos Nativos [ Ver: SEPARATISMO-50 ].

    By Blogger pvnam, at segunda-feira, agosto 07, 2006 9:08:00 da tarde  

  • Os morangos foram escolhidos para a capa da Atlântico porque vende mais. Como a critica é uma merda porque completamente snob e descontextualizada (e depois, quem éMFMpara defender a famiia tradicional?) vai ser um tiro no pé. Ninguém compra segunda vez.

    Jorge

    By Anonymous Anónimo, at segunda-feira, agosto 07, 2006 9:44:00 da tarde  

  • By Anonymous Anónimo, at quinta-feira, fevereiro 01, 2007 12:17:00 da manhã  

  • best regards, nice info »

    By Anonymous Anónimo, at sábado, fevereiro 03, 2007 1:51:00 da manhã  

  • By Anonymous Anónimo, at terça-feira, dezembro 17, 2013 12:11:00 da tarde  

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